Parceria com o Ponto de Cultura de Rio Bonito
Espaço Municipal de Ensino Supletivo-Rio Bonito-RJ Semi presencial, ensino através de módulo Ensino Fundamental e Ensino Médio
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Professor, trabalhar e manter a saúde
e lazer, com a pressão por resultados e a ameaça do desemprego que a relação
entre o trabalho e a saúde passa a ser de difícil conciliação: ora há muito trabalho
e pouca atenção para a saúde, ora a atenção à saúde se impõe e ameaça eliminar
o trabalho, como podemos observar na história desta professora:
Durante dez anos da minha vida eu trabalhei sessenta horas [semanais],
manhã, tarde e noite. Trabalhava no Estado quarenta horas e mais vinte
horas no particular. Então era uma rotina de correria. [...] Um dia eu entrei
numa sala de aula de um primeiro ano, conversei com todo mundo, essa coisa
gostosa nossa, da nossa profi ssão, e eu comecei a dar aula. E eu tava dando
aula de números complexos e muito entusiasmada e o pessoal todo, uns
quarenta alunos, me olhando assim... Tinha alguma coisa errada... Quando
eu olhei pra trás, eu disse: “Pessoal essa aqui é a turma cento e doze?”. Aí
todo mundo: “É”. “Não é a trezentos e doze?” “Não.” Aí eu tava dando
uma aula de terceiro ano no primeiro, mas isso tinha se passado mais de
trinta minutos e ninguém tinha me interrompido! Aí eu cheguei pra eles e
pedi: “Gente, apaga tudo. Apagou? Vamos rasgar as folhas. Isso não é nada
pra vocês”. Isso me deu um alerta. Em casa, conversei com o meu marido e
ele disse assim pra mim: “Acabou essa correria louca. Nós não precisamos
disso. Nós podemos nos virar, é só recondicionar nossa vida fi nanceira”.
Naquele ano, me demiti do Estado. Fiquei só com o particular. Eu posso
dizer para vocês, depois que eu passei esses dez anos trabalhando feito uma
louca, que me deu uma pane mental. Nesse momento pane que eu resolvi
parar, comecei a ter crises de enxaqueca muito seguidas. Mas eram enxaquecas
de ir parar no pronto socorro, tomar [medicação] na veia etc. Um
dia, o médico, já na terceira vez que ele tava me atendendo, disse para mim:
“Olha, eu estou te chamando aqui para te dizer para providenciar algumas
mudanças de estilo de vida, porque tu estás ficando viciada em analgésicos.
Eu não posso mais te dar os analgésicos”. E aí eu tive que tomar realmente
providências sérias quanto à minha saúde. Cortar os analgésicos, procurar
uma medicina alternativa de acupuntura, tive que começar a ir à nutricionista,
tive que fazer um esporte, aí fui fazer karatê, que é toda uma fi losofi a
de vida junto. Comecei a fazer meditação... E assim foi dois anos para o meu
organismo se readaptar. É uma luta pessoal. E eu ainda me reservo o direito
de ir umas duas vezes por semana à massagem para conseguir relaxar. Senão,
vou começar a ter contratura, contratura... É um investimento, é caro.
Leva uma boa porcentagem do meu salário nisso. Mas eu me permito. Então
o professor, ele tem uma carga... Eu sei. A minha saúde, eu tive que optar.
Professor, trabalhar e manter a saúde
A busca da realização de um trabalho de boa qualidade foi perceptível em diversos
entrevistados como um valor ético e moral. Ora declaradamente, ora por
meio de uma reclamação, os professores demonstraram que a dedicação ao trabalho
de educar é muito grande. Por isso, quando eles não recebem reconhecimento
pelo seu esforço, ou quando são impedidos de executar as suas ideias, muitas
vezes trabalhadas em conjunto com os alunos, podem sentir-se ofendidos.
Quando a gestão impõe diretrizes muito fechadas aos professores, que se dedicaram
tanto ao relacionamento com o aluno, permeia entre eles um sentimento
de descarte, um descarte da sua opinião. Como não aceitar, não querer ouvir a
opinião de quem acompanha os alunos diariamente?
Não participar da elaboração das propostas pedagógicas, de projetos e atividades
e ter que obedecer àquilo que já vem pronto, preparado pela escola, faz
com que o professor não se veja como sujeito das questões que ele mesmo vivencia
na escola, impedindo um sentimento de pertencimento.
Por outro lado, o trabalho do professor é envolvente porque também é belo. E
isto os incentiva a permanecer na profissão.
Profissão Professor
Houve um momento na história da profissão de professor em que a sua valorização
na sociedade equiparava-se à do médico ou à do engenheiro, consideradas,
até hoje, profissões de grande respeito. Hoje, a profissão de professor não
goza deste reconhecimento social nem financeiro.
Atualmente, há uma dificuldade constante no cotidiano de trabalho do professor
que consiste em compreender qual é o seu papel. Na relação com o aluno,
passou-se a exigir do professor que seja amigo, compreensivo, gentil, disposto a
compartilhar, a ouvir os problemas pessoais de seus alunos, mas, ao mesmo tempo,
que avalie esse aluno atribuindo-lhe notas e que lhe aplique uma reprimenda
por um mau comportamento. Exige-se que este desenvolva algumas habilidades
individuais nos alunos, capacidades inovadoras e criativas e, também, que o auxilie
a desenvolver um senso de trabalho em grupo, de interação com o coletivo.
Na relação com a escola, tornou-se um funcionário, devendo simplesmente
cumprir metas e obedecer aos princípios e às propostas da escola. Queixa-se da
falta de possibilidade em participar mais ativamente na gestão de assuntos que
envolvam principalmente as questões didáticas, das propostas pedagógicas, e
sente que é excluído de decisões importantes sobre os conteúdos a serem trabalhados
com os alunos.
Aos poucos o professor passa a sentir os refl exos desta variada gama de encargos,
de responsabilidades e de frustrações, seja adoecendo ou, de modo indireto,
assistindo ao adoecimento dos colegas.
Os problemas de saúde dos professores
O Trabalho de Professores da Educação Básica do país é
desgastante: passar muito tempo em pé; falar demais, alternando o tom de voz,
chegando até a gritar, em alguns momentos, para chamar a atenção dos alunos;
carregar o peso de livros, cadernos e provas para serem corrigidos; e escrever na
lousa com giz.
Outra associação com problemas de saúde feita, refere-se aos muitos deslocamentos de uma escola para outra, no mesmo dia, às vezes, no mesmo período. Sem tempo para sentar e comer tranquilamente, geralmente a refeição é precária, apenas um lanche ingerido durante o próprio trajeto, o que faz muitos professores associarem com problemas de obesidade.
Projetos Multidisciplinares
Eles são bem vistos por muitos professores, pois ajudam a engajar
o aluno e o levam a fazer ligações com outras áreas de conhecimento. Também
são percebidos como algo melhor do que o “ensino de gavetas”, aquele feito sem
conexão entre uma disciplina e outra. A realização de projetos multidisciplinares
envolve os alunos, obtém ganhos de participação e motivação, despertando neles
o interesse cultural.
Os professores concordam que o projeto pode ser entendido como
outro recurso para compor o planejamento deste profissional, diferente de uma
aula comum, e pode ser usado de maneira interdisciplinar com sucesso.
Antes da aula: o planejamento e “os projetos”
Enquanto para a maioria dos trabalhadores domingo é um dia de descanso,
para muitos professores é o dia no qual farão o planejamento das aulas, das atividades
extras e a preparação do material didático.
O planejamento das aulas do professor de currículo por área depende da
quantidade de escolas e de turmas que assumiu. O professor que leciona em
uma escola ou optou por uma carga horária menor pode organizar melhor o seu
tempo para a preparação das atividades e para o estudo dos resultados das suas
aulas:
"Sou professora de 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental. É uma disciplina rígida.
Se a aula vai começar dia 1º de março, eu já tenho todas as aulas planejadas
um domingo antes. Deixo para fazer tudo isso no domingo de tarde, na
minha casa. Eu me fecho no escritório. Se chegar uma visita, minha família
atende. Depois, na semana daquela primeira aula, quando chegar o próximo
domingo, eu planejarei a aula para a outra semana."
Caderno de Caligrafia
Ainda se usa o caderno de caligrafia?
é formadora de professores
"Sim, mas deve-se evitar exercícios mecânicos, como cópias exaustivas de palavras descontextualizadas. O ideal é usar pequenos textos, como provérbios, quadrinhas, parlendas e moral de fábulas. Com o caderno de caligrafia, o estudante aprende a controlar a pressão sobre o lápis, a observar o traçado das letras e a diferenciar maiúsculas de minúsculas.
Mais que ajudar o aluno a conquistar uma letra legível e ganhar rapidez ao escrever, esse material deve contribuir com o processo de aprendizagem da linguagem escrita. Finalmente, o treino com o caderno de caligrafia não pode ser castigo, lição de casa ou ocupar toda uma página."